Simplificando o Modelo de Fleuriet

Existem diversos modelos para a análise da situação financeira de empresas. Portanto, optar por um determinado método significa escolher características que se acha mais interessantes de serem analisadas. Muitos modelos se destacam pela variedade de aspectos que englobam e pela visão da situação empresarial que proporcionam. Dentre esses vários modelos, está o Modelo de Fleuriet.

Se valendo do modelo dinâmico de capital de giro, o Modelo de Fleuriet tem como objetivo a análise da situação financeira das empresas, se apresentando como uma ferramenta de tomada de decisões.

O Modelo de demonstrações de Fleuriet aborda a necessidade de capital de giro, conforme as demonstrações financeiras, analisando a sua composição patrimonial e fontes de recursos. Criado por Michel Fleuriet e outros pesquisadores da Fundação Dom Cabral, o modelo tem como sua principal característica ser um modelo dinâmico, que não se apoia em dados estáticos.

Utilizam-se 2 (dois) demonstrativos contábeis para realizar a sua análise, o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).

Balanço Patrimonial

O Balanço Patrimonial, com respeito aos princípios contábeis, é divido em 2 partes (ativo e passivo) e seus saldos repartidos em circulantes e não circulantes. No Modelo Fleuriet, as contas circulantes, são subdivididas em contas Financeiras e Operacionais.

  • As contas Financeiras não têm relação com a operação da empresa, como por exemplo: Contas de Bancos e Caixas.
  • Já as contas Operacionais, são diretamente ligadas à operação, como por exemplo: Estoque e Clientes a receber.

Demonstração do Resultado do Exercício

Na Demonstração do Resultado do Exercício são apurados seus resultados sem considerar o seu fluxo de recebimento ou pagamento. De forma gerencial, temos a seguinte estrutura básica:

  • Receita Bruta
  • Impostos sobre faturamento
  • Receita Líquida
  • CMV – Custo de Mercadoria Vendida
  • CPV – Custo de Produto Vendido
  • CSV – Custo de Serviço Vendido
  • Lucro Bruto
  • Despesas Administrativas
  • Despesas Comerciais
  • EBITDA (Lucro Operacional)
  • Movimentação Financeira
  • Lucro Antes IP/CSLL (em caso de empresas do LR)
  • Lucro líquido

O EBITDA (Lucro operacional) é um indicador relevante para a análise gerencial, pois este evidencia se o negócio consegue gerir seu giro financeiro com recursos próprios. Caso o EBITDA apresentar um resultado negativo, é evidenciado que o modelo de gestão não suporta o giro financeiro, o que se faz necessário com auxílio de recursos de terceiros.

Necessidade de Capital de Giro

Para vermos a necessidade de capital de giro, precisamos analisar alguns ciclos, como o ciclo econômico (CE), que consiste no tempo médio de compras e o tempo médio de venda. Este ciclo é expresso pelo indicador do prazo médio de estoque (PME).

Temos também o ciclo operacional, que consiste no tempo médio de compra e prazo médio de recebimento. Em que utilizamos a soma de 2 índices.

E, por fim, temos o Ciclo Financeiro (CF), que são o prazo médio de pagamentos sobre as prazo médio de recebimento.

Com todos estes ciclos calculados, conseguimos calcular a necessidade de capital de giro, que é composto da seguinte forma:

Ou seja, a necessidade de capital de giro (NCG) = ativos cíclicos – passivos cíclicos.

Desta forma, quanto maior o NCG, mais evidente a necessidade de investimento no ciclo operacional. Ou seja, a empresa corre um risco alto, pois ela necessita de demandas financeiras para a operação.

Conseguimos avaliar a liquidez de uma empresa aplicando análises fundamentadas no Modelo de Fleuriet. É possível identificar o tipo de estrutura financeira, suas características e quais são as tendências relativas ao modelo financeiro trabalhado. É um modelo de análise de liquidez auxiliar do modelo contábil que ao mesmo tempo contempla aspectos gerenciais, de forma a possibilitar antever a deterioração ou mesmo a recuperação financeira, visto que conseguimos, por meio dele, avaliar o fluxo de caixa.


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